Bandeira Nacional
Lembrar a quem esqueceu não faz mal a ninguém
Com o Euro 2004, Portugal cobriu-se literalmente com a Bandeira Nacional. É rara a casa que não tem na janela ou na varanda a bandeira verde-rubra. Muitos são os carros que trazem hasteado este símbolo . Infelizmente muitas dessas bandeiras apresentam erros escandalosos. Não faltam pagodes em vez de castelos... O Expresso trazia a seguinte explicação dos elementos da Bandeira Nacional, com os habituais erros históricos sobre o significado dos castelos, dos escudetes e dos besantes: (ver, em anexo: Embedded image moved to file: pic18540.jpg). Aqui vai a correcção que se impõe:
A bandeira portuguesa foi evoluindo ao longo da história pátria, em íntima ligação com as alterações sofridas pelo escudo de armas dos reis de Portugal. A actual Bandeira Nacional, que hoje representa o Estado Português, entrou em vigor após a instauração da República (5 de Outubro de 1910). O Diário do Governo de 15 de Outubro de 1910 nomeou uma comissão, constituída por Abel Botelho, Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Landislau Pereira, com vista a apresentar um projecto de uma nova bandeira.
As cores da nova bandeira - o Verde e o Vermelho - foram identificadas com as cores dos pendões hasteados na revolta de 31 de Janeiro de 1891 e na Rotunda em 5 de Outubro de 1910, o que não deixava de se relacionar com as próprias cores da bandeira do Partido Republicano Português. Depois de acesa polémica, mesmo no seio dos republicanos, o decreto de 19 de Junho de 1911, da Assembleia Nacional Constituinte, determinou: «A Bandeira Nacional é bipartida verticalmente em duas cores fundamentais, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro e sobreposto à união das duas cores, terá o escudo das Armas Nacionais, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivado de negro.» Pelo mesmo decreto, o comprimento ficou fixado em vez e meia a largura, ocupando o verde dois quintos do comprimento, enquanto a esfera armilar deveria ocupar metade da altura.
Como um agregado complexo de diversas significações, as cores e os símbolos inscritos na Bandeira Nacional assumem a seguinte interpretação:
Vermelho - Segundo a Comissão, o vermelho deveria figurar na Bandeira Nacional «como uma das cores fundamentais por ser a cor combativa, quente, viril, por excelência. É a cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, alegre (...). Lembra o sangue e incita à vitória». Era uma cor já tradicional nos símbolos portugueses, estando presente no brasão de armas reais desde D. Afonso III.
Verde - A escolha do verde foi das mais controversas, dado que não tinha tradição histórica na representação dos símbolos portugueses. Foi alegada a presença desta cor aquando da Revolução de 31 de Janeiro de 1891, no «momento decisivo em que, sob a inflamada reverberação da bandeira revolucionária, o povo português fez chispar o relâmpago redentor da alvorada». O Verde era recomendado por Auguste Comte como a cor que «mais convém aos homens do porvir», fazendo parte da bandeira do Partido Republicano Português.
Branco - O Branco representava para a Comissão «uma bela cor fraternal, em que todas as outras se fundem, cor de singeleza, de harmonia e de paz». Era a cor das primeiras bandeiras reais, tendo-se travado com elas as primeiras batalhas da História Nacional. Sobre pano branco haviam-se, também, inscrito as cruzes de Cristo na gloriosa epopeia dos descobrimentos. A cor branca estabeleceu-se na orla e no fundo do Brasão das Armas Nacionais.
Esfera Armilar - Símbolo característico do reinado de D. Manuel, época de apogeu da história do nosso país, representa os quatro cantos do mundo descobertos pelos portugueses, ao mesmo tempo que traduz a grandiosa obra de civilização e evangelização empreendida pelos nossos antepassados, e exprime o espírito universalista de Portugal. No dizer da Comissão, a Esfera Armilar consagra «a epopeia marítima portuguesa (...) feito culminante, essencial da nossa vida colectiva».
O Escudo das Armas Nacionais assente sobre a Esfera Armilar, evoluiu ao longo da História de Portugal, identificando-se durante muitos séculos com o Brasão de Armas Reais, já que só lentamente o Estado Português se foi diferenciando da Casa Real. Do actual Escudo das Armas Nacionais fazem parte as Quinas e a Bordadura de Castelos.
As Quinas - Em número de cinco e inscritas a azul sobre campo branco, cada uma delas em forma de escudo ponteado de cinco besantes, as quinas aparecem nos símbolos de autoridade régia, pelo menos, desde D. Sancho I. As Quinas têm uma origem duvidosa e longe de estar esclarecida. O Major Santos Ferreira defendeu que os escudetes em forma de cruz resultariam de uma evolução heráldica da primitiva cruz azul que compunha o estandarte do primeiro rei, D. Afonso Henriques, na sequência de seu pai o Conde D. Henrique. Está muito divulgada a ideia de que os cinco escudetes ponteados de cinco besantes aludiriam à lenda da Batalha de Ourique e à aparição de Cristo com as cinco chagas ao nosso primeiro rei antes desse recontro. Neste episódio o filho de Deus havia prometido a D. Afonso Henriques protecção para o Reino e a fundação de um Império. Na sequência desta batalha o nosso primeiro monarca teria vencido cinco reis mouros. Nenhuma comprovação histórica irrefutável autoriza esta tese muito popularizada em Portugal. De resto, a própria Batalha de Ourique de 1139 está envolta em muitas incertezas e obscurecida por não menores fantasias. Durante toda a Idade Média o número de besantes foi irregular e sempre superior a cinco.
Besantes
Os besantes em número de cinco são de prata sobre os escudetes azuis. O seu número foi definido por D. João II, em 1485. Anteriormente eram representados em número muito variável. Heraldicamente o termo Besante resulta na moeda de Bizâncio. A origem da sua implantação no escudo das Armas Reais Portuguesas carece ainda de cabal explicação. Para quem defende que os escudetes são reforços do escudo enquanto instrumento defensivo, os besantes explicam-se como sendo as cabeças das brochas com que os escudetes eram fixados ao pavês. Esta hipótese explicativa funda-se numa teoria que relaciona os brasões de armas medievais com os escudos que os cavaleiros usavam em combate e em torneios. As insígnias aí implantadas como símbolos pessoais, teriam, segundo este pensamento, transitado para os brasões heráldicos da nobreza.
Banda encarnada com 7 castelos em ouro - A bordadura com os castelos apareceu com D. Afonso III, persistindo até hoje com ligeiras alterações. Se inicialmente os castelos eram em número variável, mas sempre superior a sete, em 1485, por D. João II, o quantitativo de castelos foi fixado naquela cifra. Pela mesma disposição régia o número de besantes de cada escudete foi fixado em cinco, ficando todos os escudetes postos a direito. Os castelos constituem um símbolo heráldico de Castela, entrando na heráldica portuguesa pelo casamento de D. Afonso II, pai de D. Afonso III, com D. Urraca, filha de Afonso VIII de Castela. Sendo Afonso III filho segundo de D. Afonso II, a bordadura dos castelos diferenciava-o do irmão D. Sancho II, de quem tomou o trono por deposição papal. Não tem qualquer fundamento a opinião popularizada que explica os sete castelos como as praças roqueiras conquistadas aos mouros por D. Afonso III no Algarve.
JH

5 Comments:
Já agora, permitir-me-ão também uma interpretação (leviana) da
simbologia:
- gostei da interpretação da cor vermelha, e assim como da verde, especialmente a referência à tralha (junto à dita) assim como aos pesos dados 3/5 para o encarnado e 2/5 para a clorofila, respectivamente, o que acaba por ser bastante magnânimo para os crónicos vencidos da 2ª circular (mas enfim)
C1
... É favor não esquecer o azul das quinas e a mensagem subliminar que ele contém: somos poucos mas bons...
C2
Já quanto ao azul (e branco), que esteve na origem da bandeira portuguesa e que posteriormente foi abandonado em favor do vermelho e verde, pelos republicanos de Lisboa, parece que apesar da dimensão diminuta em que continua a ser representado nas cinco quinas, ainda não perdeu o seu fulgor de outros tempos. Não sei se me faço entender!
Além disso, como é sabido, as cinco quinas representam os reis mouros (sulistas) que D. Afonso Henriques derrotou na batalha de Ourique e os sete castelos assinalam as praças conquistadas.
Isto apenas para concluir que embora o azul seja pouco notado na bandeira, o seu significado está muito acima da discussão alfacinha da 2ª circular, sobre se o vermelho é mais ou menos importante que o verde e vice-versa.
Julgo até que os tempos futuros continuarão a mostrar uma tendência para valorizar ainda mais a côr azul, na linha do passado mais recente.
Bom fim de semana.
C3
Como devem ter percebido, a bandeira é representativa do nosso futebol. Em maior quantidade o Vermelho, depois o Verde depois o Azul e Branco, a significar o Beleneses, não o Porto. Depois há ainda o preto da Académica e o Amarelo do Estoril. Naquele tempo o Estoril ainda marcava pontos... E foi assim que "aqueles", projectaram a bandeira Nacional. Esfera Armilar? Qual esfera qual quê. O que eles queriam era por a bola de futebol claro com as costuras do couro representadas pelos raios da esfera, mas era demais... Castelos e quinas, as balizas e os jogadores, a quantidade foi só para disfaçar. Os portuguese sempre foram mestres em iludir a censura, não acham?
C4
Nada melhor que este texto para inaugurar um blog que tem nas suas raizes o Hino Nacional e as vitórias de Portugal !
Fica assim legitimada a posteriori, e aprovada com distinção e louvor, a "blogalização" deste texto, que muita honra a pessoa a quem o mesmo é atribuido
Essa pessoa estreia aqui e agora a sua bloglife, que prosseguirá com um username adequado
VIVA PORTUGAL !
Enviar um comentário
<< Home