quarta-feira, agosto 04, 2004

Anestesia Geral ( Pol)

LUTAR CONTRA A ANESTESIA GERAL
No Público de 30/7, Miguel Sousa Tavares faz uma análise da política actual e avança com algumas frases assassinas que merecem ser destacadas:
«A ditadura democrática substituiu a competência, o curriculum, a obra feita. A imagem e a demagogia afastaram a reflexão e a ideologia. A ambição e o oportunismo substituíram a verdade e a coragem. Os caciques partidários substituíram as elites, tidas por antidemocráticas porque, ao contrário dos outros, nunca foram a votos. E assim chegámos ao governo dos piores que a nação tem. Haverá regresso?» Miguel Sousa Tavares, Geração 2000, «Público», 30/7
A chamada ditadura "democrática", um conceito novo dos nossos dias, nasceu com o aparecimento de maiorias governativas, sobretudo quando estas entendem que a" democracia é o poder e a ditadura democrática da maioria". Esta visão da democracia é mesmo um dos pontos de referência nos discursos de João Jardim, do género: "Não há mais o que temer, o povo vota e nós mandamos..."
Esta ditadura é apoiada na legitimidade do voto popular, no entanto, todos sabemos como o voto é influenciado pelos mass-média, os quais são dominados na sua maoria pelo imediatismo e oportunismo populista da "voz do dono" e toda uma série de interesses e lobbies ligados à maioria governativa, interessados em perpetuar o "status quo" quando este os favorece ou alterá-lo quando se sentem ameaçados.
Esta instrumentalização dos mass-media, associado ao crescente jornalismo tipo "fast news" e ao uso e abuso de "sound bite", pode conduzir, na minha opinião, a uma anestesia progressiva do pensamento livre e critico, embora não seja de desprezar a existência de alguma auto-anestesia, ou seja mesmo da clientela dos mandantes, pois não sei se é possível ter sucesso num tipo de anestesia selectiva. Esta anestesia geral do pensamento, faz-me imaginar uma situação semelhante a uma versão "light" do Big Brother de George Orwell. "O Grande Irmão vela por ti..."
Temos pois que reagir, não nos deixar vencer pela apatia, pelo conformismo e pela indiferença, ainda mais quando nos apercebemos que se trata de uma indiferença maquinada, induzida e inteligentemente premeditada.
Perante a situação actual, onde imperam a mediocridade, a indulgência, a futilidade, o conformismo e a hipocrisia, há um vasto campo e inúmeros temas para exercer os dotes de crítica, de reflexão e de esclarecimento, evitando a atitude passiva e que o nosso raciocionio se converta e se renda ingloriamente ao consumo nesta "mediocracia" que nos querem impingir.
Um povo de cordeiros terá sempre um governo de lobos que lhe coma as carnes, tal como um povo de eunucos terá sempre um governo de tarados que o sodomize.
NIMZO

6 Comments:

At 4 de agosto de 2004 às 18:17, Anonymous Anónimo said...

Vou pedir a um meu assessor para averiguar a veracidade do que aqui se diz e em particular o que o "sex symbol da Lapa" anda a planear. Isto não está bem mas a culpa é de todos.
Também vou mandar averiguar de quem é a culpa dos incêndios .
Já averiguei e é falsa a notícia do jornal do Murdoch sobre o meu "affaire" europeísta.
Está muito bem guardado o segredo do "esteta" que se diz liberal sobre o casamento entre homossexuais, mas será só liberal ou já existe algum comprometimento?
Recomendo o "salmonete" no www.maralhal.blogspot.com

 
At 5 de agosto de 2004 às 11:59, Anonymous Anónimo said...

a este propósito transcrevo parte de um texto do Pacheco Pereira

*******************

Uma das características do dr. Santana, da qual aliás resulta grande parte do seu magnetismo mediático, é dar sistematicamente uma ideia de ruptura e de acção. Sempre que fala, sempre que aparece, pouco se apreende do que diz ou da coerência interna do seu discurso, o que fica é apenas uma ideia de movimento. Acontece que o dr. Santana sendo agora movimento feito estadista, é movimento para lado nenhum. A sua inusitada e constante vontade de inventar uma identidade ideológica que manifestamente não tem resulta disso mesmo: da necessidade de dar ao movimento um sentido. Paradoxalmente, sempre que busca esse sentido mais exposta fica ainda a sua ausência.

É precisamente por navegar ao sabor do vento, sem qualquer eixo que dê coerência à sua acção, que o dr. Santana opta sistematicamente pela criação do facto político e pela promoção de fait-divers. Na política, quando nada mais resta, o caminho seguido é normalmente esse. Em todos os momentos, é isso que o dr. Santana faz. Basta recuarmos um pouco até à campanha para a Câmara de Lisboa e pensarmos no que se passou. De piscinas a escolas, de casinos a túneis, tudo foi prometido sem qualquer coerência e sem qualquer sentido que não fosse o de ir alimentando a agenda mediática. Até agora, desde que saltou da Câmara para São Bento, o dr. Santana tem feito apenas uma coisa. Apresenta todos os dias um “prato” diferente, como se o governo do país se tratasse de um restaurante em que aos clientes não é apresentado um menú, mas no qual todos os dias a ausência deste é iludida com a apresentação de um novo prato do dia. O problema é que, a certa altura, os cidadãos começam a vestir o fato do cobrador de promessas e, nessa altura, já não há fuga para a frente. Não só começa a ser necessário repetir os “pratos”, como os próprios clientes começam a sentir falta de um menú onde assente a identidade do restaurante. Este é um governo sem coerência e que assenta apenas numa soma de “pratos do dia” que se vão sucedendo uns aos outros sem deixar lastro.

Mas não nos iludamos, a capacidade de todos os dias sacar da cartola uma novidade esconde outra face, perniciosa para o trabalho da oposicação. Toda a discussão política passa a ser centrada nos fait-divers e na própria personalidade do Primeiro-Ministro, com isto solidificando a impossibilidade de se discutir as políticas. Com a banalização da asneira, com os Ministros pouco preparados e com o folclore mediático em torno do dr. Santana, o espaço para a oposição política “pura” fica reduzido a um mínimo.

*************

que não contradiz, quer o texto agoara comentado, quer "A Caldeirada Dominical" no blog www.maralhal.blogspot.com.

Disse.
Ass: Come Joaquinzinhos com arroz de tomate malandrinho.

 
At 5 de agosto de 2004 às 13:51, Anonymous Anónimo said...

Em relação ao último comentário gostaria de fazer uma emenda, pois o texto referido não é da autoria de Pacheco Pereira (apesar de me parecer que poderia ser).
Ass: Come joaquinzinhos com arroz de tomate malandrinho

 
At 5 de agosto de 2004 às 15:35, Anonymous Anónimo said...

Quanto a mim, tal como o discurso monocórdio e redondo do PR (Jorge Cenoura), também a mediocridade do palavreado de promessas avulsas de um primeiro-ministro (Pedro Carapau) que parece saltar do palco de um teatro de revista e que estimula o anedotário nacional, pode conduzir a um estado de sonolência e apatia, quiçá com efeitos anestesiantes. Quanto ao discurso de sacristão do Paulo Samonete, este efeito é tão evidente e imediato, que até os anti-corpos dão conta do recado, não sendo necessário corta-lhe o pio, i.e. desligar a TV. Tenham portanto muito cuidado, mantenham-se acordados.

NIMZO

 
At 7 de agosto de 2004 às 00:10, Anonymous Anónimo said...

Tenho de dar os parabéns ao Pedro Carapau por ter corrido com o incompetente Cardoso e Cunha da TAP e mantido Fernando Pinto. Acho até que foi a única medida acertada do PSD nos ultimos 12 anos.
NIMZO

 
At 9 de agosto de 2004 às 12:53, Anonymous Anónimo said...

Foi emendar um erro do governo do Durão, mais nada do que isso.
Esperemos para ver se não correm com o Brazuca numa próxima oportunidade, porque isto de confiar nos gestores estrangeiros em vez dos nacionais tem muito que se lhe diga.
Curiosa também a perda de poder dos lobis da geração dos setenta, hoje mandam mais os da geração dos cinquenta.

 

Enviar um comentário

<< Home